Numa viagem de kitesurf você precisa levar, no essencial, quatro coisas: o equipamento de kite, roupa leve com boa proteção contra sol e vento, documentos e seguro, e uma mala pensada pras regras de bagagem esportiva da companhia aérea. O resto é ajuste fino pro destino e pra época do ano.
A diferença pra uma mala de praia comum é que aqui você carrega equipamento caro e volumoso, e quase sempre vai parar num lugar de vento forte, sol pesado e pouca estrutura pra comprar o que faltou. Esquecer o trapézio ou o protetor solar não é só um perrengue, é dia de água perdido. Por isso vale montar a mala por prioridade, e não na véspera correndo.
O checklist abaixo segue essa ordem: primeiro o que te coloca na água, depois o que te protege, e por último o que quase todo mundo esquece.
Equipamento de kite
É o que ninguém aluga de última hora num spot isolado. Se você leva o seu, confira item por item antes de fechar a boardbag:
- Kites nos tamanhos certos pro destino. Em lugar de vento forte e constante, como boa parte do Nordeste, dois kites menores costumam resolver a semana inteira. Onde o vento oscila mais, vale um terceiro tamanho.
- Prancha (twin tip e/ou direcional, conforme o seu estilo).
- Barra e linhas, conferidas: linha sem nó, leash funcionando, chicken loop em ordem.
- Trapézio de cintura ou de assento. O item mais esquecido da lista, e o que mais dói esquecer.
- Bomba com manômetro e o adaptador da válvula.
- Kit de reparo: tela de reparo, válvula reserva, fita resistente e uma multiferramenta.
- Boardbag ou capa com proteção pra prancha e barra, que também é o que segura tudo no despacho.
Se você ainda está começando ou não quer encarar o despacho do equipamento, dá pra ir só com a roupa de água e alugar o resto no destino. Mais sobre isso lá no fim.
Roupa e proteção pro sol e pro vento
Numa kite trip você fica horas exposto. O sol do litoral nordestino é forte mesmo em dia nublado, e o vento resseca a pele rápido. Aqui a regra é levar pouco, mas levar o certo:
- Lycras de proteção solar (UV manga longa), de 2 a 3, pra revezar enquanto secam.
- Bermuda ou shorts de neoprene, pelo atrito do trapézio e pra água um pouco mais fria de manhã.
- Protetor solar resistente à água, fator alto, e um protetor de rosto em bastão pra reaplicar sem escorregar.
- Chapéu ou boné com cordão e óculos de sol com retentor, que sem isso o primeiro caldo leva embora.
- Roupa seca e leve pro fim do dia. Você vai usar bem menos do que imagina.
- Chinelo e um calçado fechado simples, se o destino tiver caminhada na areia ou passeio de buggy.
Em destinos de água quente, como Tatajuba, com temperatura entre 27 e 32 graus, dá pra velejar de lycra o dia todo sem neoprene grosso. Em água mais fria, ajuste pra um shorty ou long john.
Documentos, saúde e dinheiro
A parte chata que trava a viagem inteira se faltar:
- Documento com foto pra trips nacionais. Pra destino internacional, como Los Roques, passaporte válido e o que mais o país exigir.
- Seguro viagem, de preferência um que cubra esporte. Vale o investimento.
- Remédios de uso contínuo e um kit pequeno: analgésico, antialérgico, pomada pra atrito e curativo à prova d’água.
- Dinheiro em espécie. Vila de pescadores isolada raramente tem caixa eletrônico ou maquininha confiável, então leve um troco pra comida, gorjeta e imprevisto.
Levar o equipamento de kite no avião
Essa é a etapa que mais gera dúvida, e a que mais sai caro quando você descobre a regra no balcão. O equipamento de kite viaja como bagagem esportiva especial, e cada companhia tem seu limite de peso e dimensão pra boardbag.
Três cuidados que evitam dor de cabeça:
- Confira a regra no site da companhia antes de fechar a mala. Azul, Latam e Gol têm políticas próprias pra equipamento esportivo, e elas mudam de tempos em tempos.
- Declare e pague o adicional de equipamento pela internet, com antecedência. Comprado antes, costuma custar bem menos do que na hora do check-in.
- Proteja prancha e barra dentro da capa. Roupa e toalha em volta do equipamento amortecem e ainda aproveitam o peso da boardbag.
Quando a trip é organizada, boa parte dessa logística aérea já vem resolvida ou orientada por quem faz o trajeto toda temporada. Você chega sabendo o que esperar.
O que quase todo mundo esquece
Os itens que não aparecem na lista óbvia e fazem falta no meio da semana:
- Carregador, adaptador e power bank.
- Saco estanque pra celular, chave e documento na praia.
- Toalha de microfibra, que seca rápido e ocupa quase nada.
- Repelente, principalmente em destino de lagoa e mangue.
- Fita de reparo extra e cola, porque furo de kite sempre acontece na hora errada.
- Uma muda de roupa e a lycra na bagagem de mão. Se a mala despachada atrasar, você não perde o primeiro dia de vento.
Quando a trip já resolve metade da mala
Boa parte do peso da mala some quando a viagem é organizada. Numa trip da Fridsland a logística já vem montada: transfer, hospedagem pé na areia, guarderia pra deixar o equipamento seguro e assistência de praia durante a semana. E quem não quer despachar prancha e kite encontra aluguel de equipamento no destino, então dá pra ir só com a roupa de água e o trapézio.
É o caso da trip pra Tatajuba, no Ceará: sete noites num dos melhores picos de kite do mundo, com mar flat boa parte do dia, vento constante e tudo já resolvido pra você só velejar. Dá pra ir com o próprio equipamento ou alugar por lá.
Se a sua dúvida é menos sobre a mala e mais sobre qual destino combina com o seu nível, é só olhar o calendário de trips e falar com a gente. A escolha do spot muda mais a sua semana do que qualquer item da lista.